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Contos

Dona Benedita é uma simpática e adorável velhinha. Está beirando seus oitenta anos, mas é muito feliz porque tem uma família feliz. Duas filhas solteiras e um filho casado. Novarino, o filho, tem uma esposa dedicada e fiel. Esse casamento harmonioso proporcionou à Dona Benedita três maravilhosos netinhos, todos sapecas e cheios de vida. Apesar de nada lhes faltar, as filhas e o filho de Dona Benedita trabalham duro para dar à família o conforto merecido que a sociedade moderna permite. A vida para eles é bastante frugal e modesta. Mas fazem o que podem para viver bem. Dona Benedita foi muito bem casada com o falecido seu José, que Deus levou aos setenta e sete anos, com a cabeça coberta pelas cãs da idade provecta. Seu casamento durou mais de cinqüenta anos e o casal cumpriu rigorosamente a promessa feita diante do altar. Foram fiéis um ao outro até que a morte os separou. Falecido o seu marido, Dona Benedita enfrentou com galhardia o revés que o destino cruel lhe causou. Os filhos e os netos garantem à Dona Benedita o calor e o carinho de um lar abençoado que tomou possível suportar a dor da partida do marido querido. A aposentadoria que o seu José lhe deixou é bem modesta: apenas um salário mínimo mensal que a Dona Benedita vai, religiosamente, buscar em uma das agências da Caixa Econômica, no bairro de Vila Pompéia. Novarino jamais pôs a mão nesse dinheirinho da mãe, para que ela possa gastar na satisfação de seus modestos desejos, sabe, pequenas utilidades de uma senhora de oitenta anos. Em casa nada lhe falta. Dona Benedita nada diz e nada lhe é perguntado sobre o dinheirinho da aposentadoria. O filho Novarino sempre teve certeza que esse salariozinho estava sendo bem usado pela sua mãezinha querida, pela qual devota um amor intenso. Mas de uns tempos para cá, Dona Benedita estava sempre sem um centavo sequer, muito embora a sua pequena pensão continuasse a ser pontualmente paga pela agência bancária. E a nora não conseguia entender como é que uma senhora de quase oitenta anos, sem nunca trazer para casa qualquer novidade, por exemplo uma dessas blusinhas de liqüidação encontradiças em bancas de camelôs que se espalham por toda a cidade, estava sempre sem dinheiro. Dona Benedita tem alimentação, remédio, plano de saúde e serviços básicos em casa, tudo pago pelos seus filhos, condução gratuita, mas mesmo assim o dinheirinho da aposentadoria desaparecia misteriosamente. O que estava acontecendo com o salário mínimo de Dona Benedita? O filho, que ficara a par do assunto através da sua esposa, muito constrangido, tentou saber da mãe o que estava acontecendo, qual o mistério do desaparecimento do valor da aposentadoria da mãezinha querida.

- Não se preocupe, meu filho, não estou jogando dinheiro fora, estou investindo todinho para o bem da nossa família.

- Investindo? Em que Banco, mãe? Tem recibo?

- Não, filho, não é Banco, é na igreja que estou freqüentando durante o dia ali na Rua das Palmeiras, já que não tenho nada que fazer. Lá na fila da agência da Caixa eu conheci uma obreira que me contou sobre essa aplicação. E o pastor me falou que tudo o que eu depositar lá na igreja dele a nossa família vai receber dez vezes mais. Ele me disse que Jesus garante. E eu acredito. Estou fazendo isso para o bem de todos nós.

- E a senhora, então, está dando tudo para o pastor? Fica sem um níquel sequer?

- É, eu já vi esse pastor na televisão curando pessoas doentes em nome de Jesus. Eu acredito, filho, vale a pena investir na igreja do pastor. É para o nosso bem, filho.

Dona Benedita continua simpática e adorável. Como sempre foi. Mas não tem mais o seu José para protegê-la dos espertalhões e cuidar das suas coisinhas. Agora ela tem um pastor. Pobre da Dona Benedita. Deus que a proteja, porque as autoridades estão vendo tudo isso e fazem ouvidos moucos e vistas grossas, como se nada disso fosse com elas. Para essas autoridades vale o provérbio os cães ladram e a caravana passa. Os donos do tal banco que toma mensalmente todo o dinheiro da Dona Benedita estão sempre na televisão gritando contra a pequenez do salário mínimo. Faz sentido. Por sua vez, nem Justiça nem Polícia podem ajudar a Dona Benedita. Na verdade, não querem. Não sou o autor dessa história. Nem a imaginei. Fiz apenas uma versão suave. .O autor é o desconsolado filho da Dona Benedita.

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Poesias

Na minha terra natal
Há tantas coisas bonitas
Que é difícil de contar.
Pra não esquecer nenhuma
Comprei um computador
Pra nele tudo guardar.
E quando a memória falhar
Basta clicar um botão
Pra tudo poder recordar.
Pois entre tantas belezas
Que existem na minha terra
Algumas quero lembrar.
Pra melhor poder ornar
Estes versos dedicados
Àquela que feliz me faz.
Começo com passarinhos
Que no fundo de meu quintal
Trinavam alegremente
Quando o sol no horizonte
Principiava a levantar.
Avinhados, tiés, sabiás,
Periquitos, maritacas,
Papa-capins, joões-de- barro,
Um martim-pescador
E tantos outros passarinhos,
Que não dá pra registrar.
Até um bando de corujas
Que à noite, agourentas,
Piavam pra me assustar.
A brisa suave fazia
As doces mangas pendentes
Nas mangueiras balançar,
Cajueiros, pitangueiras,
Laranjeiras, mamoeiros,
E também abacateiros,
Assim também como outras
Que a minha memória agora
Não pode mais me ajudar,
Mas ainda hoje povoam
Os dias da minha infância,
Que trago guardados em mim.
Com tanta fruta brotando
Na chácara do meu quintal
Monotonia não tinha
Na minha infância vivida
Na minha terra natal.
Pra todos quero contar
Que nos campos da minha terra,
De mel a maracujá,
Tudo podia dar,
Por que fartura é palavra
Que é pequena pra explicar
Tudo que a minha terra
Podia e queria dar
Ao seu povo tão bondoso,
Quanto belo e prestimoso.
Mas, sem esconder meu orgulho
Pela harmonia perfeita
Da beleza e formosura
Da minha terra natal,
Uma eu quero cantar.
Porque só na minha terra
Tem tantas meninas bonitas
Que não dá pra disfarçar.
São Odetes, Serafinas,
Anas, Marianas, Delfinas,
Beneditas, Sebastianas,
Alices e Catarinas,
Pra lembrar as mais antigas.
Tem a minha Teresinha,
Que roubou meu coração,
E com nomes mais modernos
Márcias, Cecílias, Valérias,
Cristianes, Zélias, Vanessas,
Patrícias, Veras, Andressas,
Tamires e Tatianas,
Vívians, Lílians, Adrianas,
Rosanes e Lucianas.
E lá na maternidade,
Acabou de aportar
A minha linda Gabriela,
A neta que sempre sonhei.
Enfim são tantos os nomes
De meninas tão bonitas
Que em minha terra natal
Nasceram para adornar
Terra tão deliciosa.
Mas pra ser justo como devo
Um nome não posso deixar
De nestes versos mencionar,
Porque na minha terra natal
Entre tantas meninas bonitas
Uma existe que é cândida,
De olhos lindos, brilhantes,
Que deixaria uma flor
Por mais bela que pareça
Em plano bem secundário.
Essa menina tão bela
Está despertando pra vida,
Fruindo da juventude,
A todos alegra ao passar.
Ela se chama Maria,
A caçula da tia Nica,
Que, por sorte do destino,
Os meus tios não se esqueceram
De ao lado do nome Maria
Um outro lindo juntar.
Por isso que belo conjunto
Formaram seus pais ao lhe dar
Lá na pia batismal,
Onde a água benta da pureza
Completou feliz tarefa.
Maria José ficou
Pra sempre nos alegrar.
Com justa razão a escolhi
A representante perfeita
De gerações muito belas
De meninas tão charmosas,
De corpos esculturais,
Isso eu não posso negar,
Que lá na minha Bebedouro,
Nascem a cada dia,
Pois só na minha Bebedouro
Deus deixou uma semente
Pra em nossa cidade eternizar
O encanto, a formosura
Que ninguém mais pode ter,
Porque quem tem tanta beleza,
O superlativo da vida,
Ninguém precisa humilhar,
Mas que fique claro, vizinhos,
Se beleza e formosura
Vocês também querem ter,
Só lhes resta um caminho,
Venham o quanto antes
Em minha terra morar.

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