Contos da vida real

Categoria (Contos) por admin em 12/01/2009

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Contos da vida real

Dona Benedita é uma simpática e adorável velhinha. Está beirando seus oitenta anos, mas é muito feliz porque tem uma família feliz. Duas filhas solteiras e um filho casado. Novarino, o filho, tem uma esposa dedicada e fiel. Esse casamento harmonioso proporcionou à Dona Benedita três maravilhosos netinhos, todos sapecas e cheios de vida. Apesar de nada lhes faltar, as filhas e o filho de Dona Benedita trabalham duro para dar à família o conforto merecido que a sociedade moderna permite. A vida para eles é bastante frugal e modesta. Mas fazem o que podem para viver bem. Dona Benedita foi muito bem casada com o falecido seu José, que Deus levou aos setenta e sete anos, com a cabeça coberta pelas cãs da idade provecta. Seu casamento durou mais de cinqüenta anos e o casal cumpriu rigorosamente a promessa feita diante do altar. Foram fiéis um ao outro até que a morte os separou. Falecido o seu marido, Dona Benedita enfrentou com galhardia o revés que o destino cruel lhe causou. Os filhos e os netos garantem à Dona Benedita o calor e o carinho de um lar abençoado que tomou possível suportar a dor da partida do marido querido. A aposentadoria que o seu José lhe deixou é bem modesta: apenas um salário mínimo mensal que a Dona Benedita vai, religiosamente, buscar em uma das agências da Caixa Econômica, no bairro de Vila Pompéia. Novarino jamais pôs a mão nesse dinheirinho da mãe, para que ela possa gastar na satisfação de seus modestos desejos, sabe, pequenas utilidades de uma senhora de oitenta anos. Em casa nada lhe falta. Dona Benedita nada diz e nada lhe é perguntado sobre o dinheirinho da aposentadoria. O filho Novarino sempre teve certeza que esse salariozinho estava sendo bem usado pela sua mãezinha querida, pela qual devota um amor intenso. Mas de uns tempos para cá, Dona Benedita estava sempre sem um centavo sequer, muito embora a sua pequena pensão continuasse a ser pontualmente paga pela agência bancária. E a nora não conseguia entender como é que uma senhora de quase oitenta anos, sem nunca trazer para casa qualquer novidade, por exemplo uma dessas blusinhas de liqüidação encontradiças em bancas de camelôs que se espalham por toda a cidade, estava sempre sem dinheiro. Dona Benedita tem alimentação, remédio, plano de saúde e serviços básicos em casa, tudo pago pelos seus filhos, condução gratuita, mas mesmo assim o dinheirinho da aposentadoria desaparecia misteriosamente. O que estava acontecendo com o salário mínimo de Dona Benedita? O filho, que ficara a par do assunto através da sua esposa, muito constrangido, tentou saber da mãe o que estava acontecendo, qual o mistério do desaparecimento do valor da aposentadoria da mãezinha querida.

Não se preocupe, meu filho, não estou jogando dinheiro fora, estou investindo todinho para o bem da nossa família.

Investindo? Em que Banco, mãe? Tem recibo?

Não, filho, não é Banco, é na igreja que estou freqüentando durante o dia ali na Rua das Palmeiras, já que não tenho nada que fazer. Lá na fila da agência da Caixa eu conheci uma obreira que me contou sobre essa aplicação. E o pastor me falou que tudo o que eu depositar lá na igreja dele a nossa família vai receber dez vezes mais. Ele me disse que Jesus garante. E eu acredito. Estou fazendo isso para o bem de todos nós.

E a senhora, então, está dando tudo para o pastor? Fica sem um níquel sequer?

É, eu já vi esse pastor na televisão curando pessoas doentes em nome de Jesus. Eu acredito, filho, vale a pena investir na igreja do pastor. É para o nosso bem, filho.

Dona Benedita continua simpática e adorável. Como sempre foi. Mas não tem mais o seu José para protegê-la dos espertalhões e cuidar das suas coisinhas. Agora ela tem um pastor. Pobre da Dona Benedita. Deus que a proteja, porque as autoridades estão vendo tudo isso e fazem ouvidos moucos e vistas grossas, como se nada disso fosse com elas. Para essas autoridades vale o provérbio os cães ladram e a caravana passa. Os donos do tal banco que toma mensalmente todo o dinheiro da Dona Benedita estão sempre na televisão gritando contra a pequenez do salário mínimo. Faz sentido. Por sua vez, nem Justiça nem Polícia podem ajudar a Dona Benedita. Na verdade, não querem. Não sou o autor dessa história. Nem a imaginei. Fiz apenas uma versão suave. .O autor é o desconsolado filho da Dona Benedita.

Autor: Antônio O. Tilelli

Primeira Poesia – Meninas da minha terra

Categoria (Poesias) por admin em 08/06/2009

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Meninas da minha terra

Na minha terra natal

Há tantas coisas bonitas

Que é difícil de contar.

Prá não esquecer nenhuma

Comprei um computador

Prá nele tudo guardar.

E quando a memória falhar

Basta clicar um botão

Prá tudo poder recordar.

Pois entre tantas belezas

Que existem na minha terra

Algumas quero lembrar.

Prá melhor poder ornar

Estes versos dedicados

Àquela que feliz me faz.

Começo com passarinhos

Que no fundo de meu quintal

Trinavam alegremente

Quando o sol no horizonte

Principiava a levantar.

Avinhados, tiés, sabiás,

Periquitos, maritacas,

Papa-capins, joões-de- barro,

Um martim-pescador

E tantos outros passarinhos,

Que não dá prá registrar.

Até um bando de corujas

Que à noite, agourentas,

Piavam prá me assustar.

A brisa suave fazia

As doces mangas pendentes

Nas mangueiras balançar,

Cajueiros, pitangueiras,

Laranjeiras, mamoeiros,

E também abacateiros,

Assim também como outras

Que a minha memória agora

Não pode mais me ajudar,

Mas ainda hoje povoam

Os dias da minha infância,

Que trago guardados em mim.

Com tanta fruta brotando

Na chácara do meu quintal

Monotonia não tinha

Na minha infância vivida

Na minha terra natal.

Prá todos quero contar

Que nos campos da minha terra,

De mel a maracujá,

Tudo podia dar,

Por que fartura é palavra

Que é pequena prá explicar

Tudo que a minha terra

Podia e queria dar

Ao seu povo tão bondoso,

Quanto belo e prestimoso.

Mas, sem esconder meu orgulho

Pela harmonia perfeita

Da beleza e formosura

Da minha terra natal,

Uma eu quero cantar.

Porque só na minha terra

Tem tantas meninas bonitas

Que não dá prá disfarçar.

São Odetes, Serafinas,

Anas, Marianas, Delfinas,

Beneditas, Sebastianas,

Alices e Catarinas,

Prá lembrar as mais antigas.

Tem a minha Teresinha,

Que roubou meu coração,

E com nomes mais modernos

Márcias, Cecílias, Valérias,

Cristinas, Zélias, Vanessas,

Ângelas,  Kátias, Andressas,

Tamires e Tatianas,

Vívians, Lílians, Adrianas,

Também não faltam Lucianas.

E lá na maternidade,

Acabou de aportar

A minha linda Gabriela,

A neta que sempre sonhei.

Enfim são tantos os nomes

De meninas tão bonitas

Que em minha terra natal

Nasceram para adornar

Terra tão deliciosa.

Mas prá ser justo como devo

Um nome não posso deixar

De nestes versos mencionar,

Porque na minha terra natal

Entre tantas meninas bonitas

Uma existe que é cândida,

De olhos lindos, brilhantes,

Que deixaria uma flor

Por mais bela que pareça

Em plano bem secundário.

Essa menina tão bela

Está despertando prá vida,

Fruindo da juventude,

A todos alegra ao passar.

Ela se chama Maria

Que, por sorte do destino,

Seus pais não se esqueceram

De ao lado do nome Maria

Um outro lindo juntar.

Por isso que belo conjunto

Formaram seus pais ao lhe dar

Lá na pia batismal,

Onde a água da candura

Completou feliz tarefa.

Maria Cândida ficou

Prá sempre nos alegrar.

Com justa razão a escolhi

A representante perfeita

De gerações muito belas

De meninas tão charmosas,

De corpos esculturais,

Isso eu não posso negar,

Que lá na minha Bebedouro,

Nascem a cada dia,

Pois só na minha Bebedouro

Deus deixou uma semente

Prá em nossa cidade eternizar

A beleza, a formosura

Que ninguém mais pode ter,

Por que quem tem

Maria Cândida,

O superlativo do belo,

Ninguém precisa humilhar,

Mas que fique claro, vizinhos,

Se beleza e formosura

Vocês também querem ter,

Só lhes resta um caminho,

Venham o quanto antes

Em minha terra morar.

Autor: Antônio O. Tilelli